Anjo da Guarda

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O Bairro

O que hoje conhecemos pelo nome de Anjo da Guarda: era um local chamado Itapicuraíba que na língua tupi-guarany quer dizer: pedra miúda de pequeno igarapé. Era uma área formada por sítios, cujas famílias viviam do cultivo de pequenas lavouras, de animais domésticos, caça, pesca e da fabricação de carvão.
Em 1968, o Governador José Sarney elaborou um projeto para implantar o Distrito Industrial do Itaqui, área que pretendia construir cerca de 200 mil residências. Por esse tempo já estava em construção o Porto do Itaqui.
As primeiras famílias que foram transferidas para a Vila do Anjo da Guarda eram oriundas do bairro Goiabal, de acordo com o Jornal o Imparcial (1968): “no dia 14 de outubro de 1968, às 18 horas de uma segunda-feira ocorreu um grande incêndio, que vitimou cerca de 100 famílias, deixando 04 mortos e vários feridos: até hoje não se sabe as causas desse incêndio”.
Dois dias após o incêndio, houve uma reunião no Palácio Episcopal, com a presença de representantes de Governos municipais, estadual e autoridades eclesiásticas. Depois de muito debate sobre o que fazer em favor das vítimas do incêndio, ficou decidido que elas seriam transferias para a Cidade Industrial do Itaqui. O Governo do Estado criou a CETRAP – Comissão Executiva de Transferência de População, com a finalidade de coordenar a implantação da Cidade Industrial do Itaqui e realizar a transferência das famílias para o novo local de moradia.
No início foram feitos barracos de madeira e palha e, depois, casas de alvenaria, construídas pela CETRAP, por força do convênio firmado pelo Governo do Estado, com o Banco Nacional de Habitação – BNH. As famílias vítimas do incêndio foram fixadas na Vila Anjo da Guarda, hoje, bairro Anjo da Guarda, com elas vieram outras famílias do bairro da Madre Deus, local próximo ao Goiabal.
Construída para ser uma área habitada de forma planejada, a Cidade Industrial do Itaqui, mas precisamente o bairro Anjo da Guarda, logo se transformou numa ocupação desordenada, com a população crescendo aceleradamente, em decorrência da construção da Barragem do Bacanga e da instalação do Complexo de Armazenamento e Escoamento do Projeto Grande Carajás e da ALUMAR, na década de 70.
A pesquisa realizada pela Fundação Projeto Rondon, entre os anos de 80 e 81, constatou que o bairro “nasceu” e “cresceu” sem planejamento urbano e sem infra-estrutura.
Diante do descaso do poder público, a própria comunidade resolveu atacar esses problemas. Através do sistema de mutirão e com doações, foram construídos o Hospital Nossa Sra. da Penha, o Clube de Mães, a Igreja Católica, o Teatro Itapicuraíba e Escolas Comunitárias. Em seguida, o movimento Comunitário Católica fez as mais diversas reivindicações às instituições governamentais, que foram sendo parcialmente atendidas.
Convém destacar a força do movimento comunitário naquela época, mas também a percepção das instituições de governo, face ao grande número de eleitores e consumidores já instalados na região. Como conseqüência, foram implantados, inicialmente, serviços de água e luz, mercado, delegacia, postos de saúde e escolas. Depois, vieram empresas de transporte coletivo, agências de banco e de correio, supermercados, farmácias etc.

Fotos

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